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Conheça a história de Brown, um albatroz-errante que, recentemente, foi pai

Brown estava perto da fronteira do Brasil com o Uruguai

 

A  trajetória de um albatroz-errante (Diomedea exulans), espécie de ave oceânica ameaçada de extinção, foi rastreada no Brasil a partir de uma fotografia produzida pelo biólogo Dimas Gianuca, observador de bordo do Projeto Albatroz. Em sua última viagem, entre os dias 30 de julho e 15 de agosto deste ano, ele fotografou a ave e, a partir da imagem, verificou a presença de uma anilha em sua pata direita.

Com a ajuda do pesquisador britânico Andy Wood, que atua no Programa Britânico de Pesquisa na Antártica, a ave foi identificada como um macho da espécie albatroz-errante, batizado de “Brow 789”. Brow ganhou a anilha quando nasceu, em 1992, na Bird Island, no arquipélago Geórgia do Sul.

“Brow” abandonou o ninho no mesmo ano, quando ainda era um albatroz juvenil, voltando ao arquipélago apenas em 2000. Ele tem uma mesma companheira desde 2003. Sua parceira, também anilhada, foi batizada como “Green C99” e também deixou o ninho em 1992. Desde 2005, vêm se reproduzindo com sucesso e seu último filhote nasceu em 23 de março no ninho que o casal possui na Bird Island.  Uma das características dessa espécie de albatroz é o grande tamanho: com as asas abertas, um indivíduo pode chegar a ter 3,5 metros, o que lhe garante o status de maior ave do mundo.

De acordo com informações de Dimas Gianuca, um mesmo casal de albatrozes se forma para a vida toda. Colocam apenas um ovo a cada dois ou três anos e a sua reprodução,  desde o acasalamento até o filhote abandonar o ninho, demora 11 meses.  “Macho e fêmea se revezam no ninho chocando o ovo e, depois, cuidando do filhote. Enquanto um está no mar, obtendo alimento, o outro está em terra, guardando o ninho”, explica.  

Segundo Dimas, águas oceânicas do sul do Brasil são uma área de alimentação dessa espécie, distante mais de 2.500 km do ninho. É nesse ambiente que muitos deles morrem acidentalmente, quando são fisgados pelos barcos de pesca na tentativa de comer a isca dos anzóis.

Quando um dos pais morre, o filhote também não sobrevive,  já que apenas um albatroz adulto não consegue prover o alimento necessário para o filhote. A mortalidade não-intencional por barcos de pesca ameaça essa espécie de extinção. A população da Geórgia do Sul declinou de 1800 casais na década de 60 para 800 no final de 2010.

Sobre observadores de bordoO Programa Observadores de Bordo mantém técnicos a bordo dos barcos durante as viagens de pesca para coletar dados científicos sobre a interação de aves marinhas com a pesca e realizar testes de medidas mitigadoras, entre outras funções. No Brasil, é desenvolvido pelo Projeto Albatroz em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura e com o programa Albatross Task Force (ATF), da BirdLife International/Royal Society for Protection of Birds (RSPB). O Projeto Albatroz é patrocinado pela Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental.

 

O albatroz-errante é a maior ave do planeta; com as asas abertas, chega a medir 3,5 metros As águas ocêanicas do sul do Brasil são uma área importante de alimentação dos albatrozes

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