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Semanas entre ventos fortes e um mar de albatrozes

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O castelo de proa golpeia um vagalhão espalhando um spray de água salgada sobre o convés que protege, enquanto isso a tripulação do Maria colhe o material de pesca sob ventos de força 6 (aproximadamente 49 km/h). A cena que se repetiu várias vezes neste, que foi um dos embarques mais ventosos que já tive, dá uma amostra clara de como é a vida no oceano.

Ao nosso redor, aproveitando os ventos que nos sacodem, planam mais de uma centena de indivíduos de 12 espécies de albatrozes e petréis, atraídos pelos descartes e iscas da pescaria de espinhel.

Em meio a isso, persigo um albatroz-de-capuz-branco (Thalassarche steadi) com meu binóculo, tentando confirmar sua identificação. No total, foram 25 dias em alto-mar e aproximadamente 20 mil anzóis monitorados em condições comerciais de pesca para pôr à prova o mais novo dispositivo de mitigação da captura acidental de aves marinhas, o hookpod.

Se a tempestade forja o marinheiro, como diz o velho ditado, a tripulação do Maria é forjada com afinco, e forma uma grande família a cerca de 241 km da Barra barra de Rio Grande (RS). O mestre Beto infla a tripulação no convés - “vamos lá, bota o braço, não perde esse peixe!” -, enquanto um espadarte de 2,60m é carregado para cima do barco.

A pescaria de espinhel, que visa a captura de atuns, espadartes e tubarões acaba por interagir também com outras espécies que não são alvo de seus anzóis. Neste embarque, vimos desde orcas que roubavam alguns peixes até um lobo marinho que foi fisgado enquanto tentava comer a sardinha de um anzol. Esta arte de pesca representa, atualmente, a maior ameaça às populações de albatrozes e petréis, e contribui com a mortalidade destas aves com até 12 mil capturas acidentais por ano, somente no Brasil.

Proteger estas aves e solucionar o problema de sua captura incidental na pesca de espinhel, sem prejudicar os ganhos da pescaria, é a missão do Projeto Albatroz há quase 30 anos - e fazer parte dela é um privilégio. Compartilhar os nasceres e pores do sol, as ondas e o frio, a lua cheia e a vida a bordo com a tripulação e as aves não tem preço. No meu vigésimo cruzeiro pelo Projeto Albatroz, reforço minha admiração pelos trabalhadores do mar, meu compromisso com as aves e a esperança de mitigar nossos impactos nos oceanos.


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