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Saiba por que os pais e mães albatrozes são considerados os mais dedicados do Atlântico Sul

Como têm apenas um filhote a cada dois anos, os albatrozes têm cuidados especiais com suas crias, mesmo antes do nascimento

Para o grupo de aves mais ameaçadas do mundo, a reprodução é um assunto sério. Os albatrozes colocam apenas um ovo por temporada reprodutiva, o que pode significar um intervalo de até dois anos para algumas espécies. Por esse motivo, os cuidados dos pais e mães com o futuro filhote começam antes mesmo do ovo eclodir. 

O primeiro passo é encontrar um parceiro ideal - que seja saudável, para produzir filhotes igualmente fortes. Os albatrozes são aves com tendência monogâmica, ou seja, quando encontram seu par, podem continuar juntos por toda a vida. Após longos meses no oceano em busca de alimento, eles voltam a se encontrar na mesma ilha onde nasceram para botar um novo ovo. 

De acordo com Caio Marques, gerente técnico do Projeto Albatroz, patrocinado pela Petrobras, todos os cuidados tomados pelos albatrozes, desde a escolha do parceiro, a corte, até a alimentação do filhote em crescimento, têm como objetivo minimizar os riscos e garantir o sucesso da reprodução.

"A corte é como uma dança do acasalamento. A dança dos albatrozes é composta por artifícios visuais e vocais complexos, sendo considerada entre as exibições de acasalamento mais desenvolvidas em animais de vida longa. As aves usam essa dança como indicador da qualidade do parceiro e acredita-se ser um aspecto muito importante na escolha do parceiro nesta família. 

Para algumas espécies de albatrozes, são descritos até dez ‘passos’ para a corte, que podem ser adotados em diferentes sequências. Tais ‘passos’ incluem: toque gentil de bicos, se levantarem na ponta dos dedos dos pés, esticarem o pescoço e apontarem o bico para o alto, além da abertura das asas, revelando a envergadura de até 3,5 metros.

Construção do ninho

Após o reencontro e a corte, os pais começam a construir o ninho que vai abrigar o filhote pelo próximo ano. É preciso que ele seja confortável e seguro para o novo integrante, mas que também seja resistente, já que será o ponto de encontro da família em meio ao oceano.

A depender da espécie e de onde ela se reproduz, os ninhos podem variar, mas nenhum deles é feito de almofadas quentes e confortáveis. São construídos com uma mistura de lama, plantas, galhos e até mesmo penas. Em ilhas com menor disponibilidade destes materiais, seja pela característica climática ou pela ação do homem, lama, pedras e outros objetos também podem formar o ninho da nova ave.

Cuidados com o ovo

Os pais não precisam se preocupar em construir ninhos para abrigar vários filhotes de albatroz, pois só colocam um ovo por temporada reprodutiva. Assim, podem dedicar-se exclusivamente ao novo integrante da família pelos próximos meses. 

Uma vez colocado o ovo, que pode pesar até 500g, macho e fêmea dividem a tarefa de mantê-lo aquecido e protegido sob suas penas. Enquanto não está no ninho, o outro albatroz parte para o oceano em busca de um verdadeiro banquete, pois quando voltar à ilha precisará ficar cerca de duas semanas sem comer. 

Se um dos pais não volta à ilha porque acabou morrendo durante a busca por comida, o outro precisa tomar uma decisão difícil: sair para buscar alimento, deixando o ovo desprotegido. Os albatrozes precisam se manter vivos para garantir a continuidade da espécie, e por isso vão pescar, esperando que o filhote sobreviva à separação.

Muitos, infelizmente, não suportam as condições climáticas ou são atacados por espécies que vivem nas ilhas, como as skuas, além de roedores introduzidos por ação humana. Porém, aqueles que contam com o cuidado dos pais, conseguem vencer estes perigos. Quando o ovo eclode, o pequeno albatroz não sai imediatamente. Ele pode levar até cinco dias para deixar o ovo e, neste período, conta com a proteção e o zelo dos pais. 

Alimentação do filhote

Após o nascimento do filhote, os pais continuam dividindo as tarefas de forma a estarem presentes para cuidá-lo e alimentá-lo. Agora, além de garantirem comida para o próprio sustento, também trazem peixes, krill e lulas para ajudar no crescimento rápido dos pequenos albatrozes. É importante que a alimentação durante esta fase da vida seja rica em gordura e calorias, porque assim conseguem criar uma camada corpórea capaz de sustentá-los durante o período de ausência dos pais.

O alimento não chega a eles de forma fresca, mas é regurgitado pelos pais. Vale lembrar que muitas aves marinhas, incluindo os albatrozes e petréis, acabam se alimentando de lixo plástico presente no oceano, que pode levá-las à morte por obstrução do sistema digestivo. 

Quando alimentam seus filhotes, os pais podem acabar repassando esses resíduos perigosos na parte mais importante da vida.

Tradições em família

Os albatrozes não têm o mesmo entendimento sobre as relações familiares que os seres humanos, mas isso não quer dizer que não vivam experiências semelhantes. Quando estão prontos para explorar o oceano sozinhos e se alimentar por conta própria, os pais deixam que os filhotes de albatroz saiam do ninho e conquistem sua independência entre as fortes rajadas de vento em alto-mar.

Quando estes filhotes alcançam a maturidade reprodutiva - o que pode levar até dez anos para algumas espécies - encontram seu par na ilha onde nasceram, dando início a uma nova família. É muito comum que deem sequência ao ciclo da vida rodeados por seus pais, avós, primos e irmãos, retornando periodicamente ao local onde nasceram. 

A reprodução, que pode acontecer a cada um ou dois anos, é como um grande encontro de família para celebrar uma nova oportunidade de perpetuar a espécie mar afora.

 


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