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No dia das aves, um pouco sobre as aves marinhas e sua importância

Quando qualquer pessoa pergunta o que é uma ave marinha, o que vem à mente da maioria das pessoas é uma gaivota, ave comum em todas as praias e costas do mundo. A gaivota é, sem dúvida, a porta-voz do grupo. Mas aves marinhas, costeiras, aquáticas ou oceânicas são recortes diferentes para um grupo extremamente diversos e muito adaptado aos diferentes hábitos e ambientes que compõem as zonas costeiras e oceânicas do planeta.

Na literatura especializada existe uma grande variedade de definições de “aves marinhas”. A que eu acho que mais se aproxima da realidade é a do Dr. Robert Furness, da Universidade de Glasgow, na Escócia. Ele diz que as aves marinhas são aquelas que obtêm pelo menos parte de seu alimento a partir do mar. Não simplesmente vagando sobre o mar como fazem oportunisticamente as aves costeiras, mas viajando por distâncias sobre sua superfície em busca de alimento. Fora isso, as aves marinhas tipicamente se reproduzem em ilhas oceânicas ou em áreas costeiras.

Foto: Dimas Gianuca

É verdade que para isso essas aves necessitam de adaptações especiais, como bicos em forma de gancho, típico de gaivotas, albatrozes e petréis, ferramenta eficiente para capturar presas lisas e escorregadias na superfície do mar. Geralmente possuem plumagem espessa, que permite isolamento térmico, já que muitas passam parte de suas vidas em regiões polares e subpolares. Além disso, grandes patas palmadas, com membranas interdigitais bem desenvolvidas, permitem decolarem a partir da superfície do mar. Essas patas servem como o “motor propulsor” na hora da natação e são também utilizadas em manobras aéreas, se assemelhando aos flaps dos aviões. Ainda sobre o voo, não se pode deixar de falar da incrível envergadura das asas de algumas dessa aves. Adaptados a longas migrações que circundam o continente antártico, alguns albatrozes possuem asas estreitas e muito longas, alcançando espetaculares 3,5 metros da ponta de uma asa a outra. São asas típicas de aves planadoras que percorrem distâncias planetárias, utilizando os ventos constantes dos mares do Sul, para executar suas tarefas reprodutivas e para buscar o seu alimento. Mas talvez a adaptação mais notável seja a presença de um par de glândulas de sal ou supraorbitais, localizadas na parte superior do crânio, que têm a função de auxiliar o organismo a secretar o excesso de sal, uma vez que são aves que não possuem acesso à água doce, bebendo a água do mar ativamente ou ingerindo juntamente com seu alimento.

Foto: Luciano Candisani

Mas de quais aves marinhas estamos falando? Uma minoria de aves no mundo possui essas características. Conforme citado pelo Dr. Joaquim Branco em 2004, no seu livro “Aves marinhas e insulares brasileiras: Bioecologia e conservação”, apenas 3% de um total de 9970 espécies conhecidas, segundo Peterson (2003). No Brasil, os representantes mais notáveis estão as aves insulares, ou seja, aquelas que se reproduzem em ilhas na costa, como gaivotas, atobás, trinta-réis e fragatas, e as aves visitantes, como albatrozes, petréis, mandriões entre outros.

Importância

As aves marinhas são animais do topo da cadeia alimentar. São predadores e como tal desempenham um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas marinhos e costeiros. Além de promover o controle das populações de suas presas, eles são parte essencial do ciclo de nutrientes do oceano uma vez que ao se alimentam de pequemos peixes, moluscos e crustáceos, recolocam por meio de suas fezes os nutrientes na camada fótica do oceano, mantendo o equilíbrio da vida marinha. São também bons bioindicadores da saúde do oceano e são tidos pelos pescadores como bom presságio para uma pescaria produtiva, já que a presença deles no mar indica locais ricos de pescado.

Por serem animais altamente migratórios, algumas aves marinhas, como os albatrozes e uma série de petréis, interagem com áreas de pesca importantes, principalmente no Sul dos Oceanos Índico e Pacífico, mas também no Atlântico. As aves que se reproduzem em ilhas sofrem com a introdução de espécies exóticas, que não fazem parte naturalmente daquele ambiente, como ratos, gatos e outros predadores de ovos e filhotes, e também espécies vegetais que dificultam, ou mesmo impedem, a construção e o acesso aos ninhos. Essas aves, por pescarem na superfície do mar, ficam susceptíveis à poluição por óleo, tanto de grandes derrames como as chamadas “manchas órfãs”, derivadas em geral de pequenos vazamentos ou muitas vezes derramadas propositalmente por embarcações que fazem as lavagens de seus porões. A ingestão de plástico, microplástico e a contaminação por derivados químicos que se aderem nos fragmentos plásticos ou são agregados durante o processo de fabricação de artefatos plásticos que vão dar no mar, causam uma série de malefícios que vão desde o comprometimento imunológico e endócrino até a propensão em desenvolver câncer. Outra fonte de mortalidade para essas aves é o emaranhamento nesse tipo de resíduo, incluindo aí os petrechos de pesca descartados no mar (pesca fantasma) que ficam indefinidamente capturando animais marinhos. Essas são ameaças que impactam as populações de aves marinhas ao redor do mundo.

Para combater essas ameaças existem diversas ferramentas desenvolvidas tanto no nível mundial, através de acordos e comissões internacionais, como individualmente por países ou organizações do terceiros setor. No Brasil existe, desde 2006, o Plano de Ação Nacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis, o PLANACAP, e mais recentemente, derivado deste primeiro, o Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves Marinhas, criado em 2018. Ambos Planos trazem com objetividade, prazos e metas, uma gama de ações para combater as ameaças a essas aves de forma a manter a saúde de suas populações em território nacional e águas adjacentes.

Para conhecer melhor esses Planos, acesse os links:

Plano de Ação Nacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis

Plano de Ação Nacional para a Conservação de Aves Marinhas Costeiras

Texto: Tatiana Neves

 


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