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Dias de testes em alto-mar

Por Gabriel Canani Sampaio, biólogo marinho, mestre em Oceanografia Biológica e consultor técnico da base Rio Grande (RS) pelo Programa Albatross Task Force

Era 1h30 da manhã do dia 17 de outubro, quinta-feira, quando o barco Maria desatracou do cais da Torquato Pontes Pescados, em Rio Grande (RS). Em uma manobra precisa, o mestre Beto encaixou no porto o barco que estava amarrado no Maria, soltou as amarras e zarpou em direção à saída da Barra de Grande, onde ventos de mais de 25 nós (cerca de 46 km/h) sopravam forte e faziam nosso barco balançar. 

Assim começou o quinto cruzeiro de teste do Hookpod, a mais recente medida mitigadora de capturas incidentais que nós, do Projeto Albatroz, estamos testando em condições comerciais de pesca para pôr à prova sua eficácia e durabilidade. Neste embarque, enfrentamos diversas condições meteorológicas, desde calor e a calmaria até frentes frias carregadas de vento e chuva, sempre acompanhados pelos albatrozes e petréis, que de tão adaptados a esse ambiente hostil, parecem não se importar com as adversidades ambientais. 

A assembleia de aves presente já não era mais a mesma dos primeiros testes do Hookpod, sendo caracterizada pela presença massiva de espécies que fazem seus ninhos no Centro-Sul do Atlântico e no hemisfério norte, como a Pardela-de-óculos (Procellaria conspicillata) e a Grazina-de-barriga-branca (Pterodroma incerta), bem como pela redução de espécies que fazem seus ninhos em ilhas antárticas e subantárticas, como a Pardela-preta (Procellaria aequinoctialis) e o Albatroz-de-sobrancelha-negra (Thalassarche melanophris). Essas mudanças acompanham os períodos reprodutivos das aves que, com a chegada dos meses quentes, ficam mais próximas de suas colônias reprodutivas. 

Compreender essa dinâmica e as estratégias de vida destes animais incríveis é fundamental para que possamos traçar estratégias de conservação e para a criação de medidas que possam reduzir os riscos de interação letal dessas espécies com a pesca. Pesquisas de longo prazo são a única forma de preencher as lacunas de conhecimento com precisão, de forma a reduzir a incerteza sobre as variações anuais de abundância e distribuição das espécies, que o Projeto Albatroz, com patrocínio da Petrobras e apoio de instituições como a Royal Society For The Protection Of Birds (RSPB) e BirdLife International, vem monitorando há quase 30 anos. 

Fazer parte desta história e ter a oportunidade de aprender junto com os trabalhadores do mar é uma honra e satisfação. No total, foram 17 lances de pesca e mais de 20 mil anzóis monitorados - e o mais importante, sem aves capturadas. A parceria entre o Projeto Albatroz e o setor produtivo pesqueiro vem possibilitando o desenvolvimento de medidas mitigadoras e cruzeiros como esse, sem capturas, demonstrando a importância de trabalharmos todos juntos - mestres, pescadores, empresários e pesquisadores -, para que a biodiversidade marinha seja protegida e encontre, nas águas do Brasil, um local seguro para prosperar.

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