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6º Conferência Mundial de Aves Marinhas no Twitter conta com a participação do Projeto Albatroz

Confer?ncia

Membro da equipe técnica apresentou dados inéditos sobre a interação das aves com a pesca de espinhel do sudeste brasileiro

É fato que a crise gerada pelo novo coronavírus provocou o cancelamento ou alteração da data de diversos eventos ao redor do mundo. Mas outros, como a 6ª Conferência Mundial de Aves Marinhas no Twitter não precisou mudar nada - seu formato único tornou-a ainda mais interessante neste novo período. Representando o Projeto Albatroz na edição deste  ano, o mestre em oceanografia biológica e membro da equipe técnica da instituição, Gabriel Canani, apresentou dados inéditos sobre a pesca de espinhel de fundo da região sudeste do Brasil, que opera em portos como Cabo Frio (RJ) e Itaipava (ES).

A frota de pesca de espinhel do sudeste do Brasil que desembarca nesses dois portos  praticam sistemas de multipetrecho, podendo usar diversas estratégias de pesca em um mesmo cruzeiro, entre eles o espinhel de fundo. Embora dados preliminares do Projeto Albatroz sobre já alertavam sobre o potencial impacto da captura de aves marinhas por essa frota, dados que permitissem uma avaliação abrangente dessa interação ainda eram escassos. Agora, a partir do esforço de monitoramento de pesca nessas regiões, pesquisadores do Projeto Albatroz obtiveram informações detalhadas de 82 viagens de pesca, reportadas voluntariamente pelos mestres de 20 embarcações de janeiro de 2018 à dezembro de 2019, totalizando 1,260 lances de pesca monitorados. A instituição é patrocinada pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental e também tem apoio da Birdlife International, por meio do Programa Albatross Task Force.

Os cruzeiros analisados tiveram uma média de 15 dias de viagem, e de 600 a 2,000 anzóis por lançamento. Com esses dados, a equipe técnica do Projeto Albatroz pôde analisar a intensidade da interação das aves com a pesca de acordo com a estação do ano e o período do dia em que os anzóis são largados, confirmando as elevadas taxas de captura de aves marinhas verificada em estudos preliminares realizados na década de 90.

Conforme o estudo, 52% dos lances foram feitos durante o dia, 38% parcialmente de dia e 10% no período da noite. Foram reportados 11.3%, 3.97% e 2.29% de capturas incidentais, respectivamente. No total, 261 aves foram capturadas, a maioria nos meses de inverno,  sendo 76% delas albatrozes (Thalassarche spp), 24% pardelas (Procellaria spp) e menos de 1% de atobás (Sula spp).

Do total de capturas, 219 ocorreram de dia e somente nove à noite - demonstrando que, assim como é defendido pelo Projeto Albatroz e outras organizações de conservação de aves marinhas, a largada noturna pode reduzir o número de capturas incidentais.

Conferência virtual

Sobre a conferência, realizada no início de maio, Gabriel Canani Sampaio afirma que é uma das mais acessíveis que existem para pesquisadores, ainda mais em um período de pandemia. “Pudemos trazer dados inéditos sobre a interação das aves nas pescarias da região sudeste com foco para a largada noturna - medida mitigadora mais acessível e mais eficiente para reduzir a captura significamente”, explica. “Foi importante apresentar nosso trabalho e posicionar o Projeto Albatroz dentro desse contexto de atualização de dados entre os cientistas que também estudam o tema”.

No último ano, o evento reuniu mais de uma centena de pesquisadores de mais de 20 países diferentes. Você pode acompanhar os tweets do pesquisador brasileiro em sua conta no twitter (@cananigabriel).

Sobre a Conferência Mundial de Aves Marinhas no Twitter

Em sua sexta edição, a World Seabird Twitter Conference foi criada para levar para o mundo inteiro informações importantes sobre a conservação de aves marinhas, direto pela internet. Durante a conferência, cada apresentador tem 15 minutos para twittar quatro mensagens sobre seu tópico. Seguindo a hashtag da conferência (# WSTC6), os tweets podem ser vistos por pessoas de todo o mundo.

Assim como em uma conferência acadêmica normal, ela permite a apresentação e leitura do trabalho de outras pessoas e networking com pesquisadores de todo o mundo - mas com os benefícios adicionais de que tudo isso é totalmente gratuito, sem emissão de carbono e com a possibilidade de alcançar pessoas de todo o planeta.

Saiba mais sobre o evento acessando sua conta oficial no Twitter: https://twitter.com/seabirders

 


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