Pinguim sangue bom!
Pinguim-de-Magalhães resgatado com anemia grave recebe transfusão sanguínea e está apto a voltar ao mar
Assim como os seres humanos, os pinguins também podem receber transfusões sanguíneas em situações graves. Foi assim que uma doação de sangue ajudou a mudar a história do pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) “Branco”. Resgatado com anemia grave, desidratação e baixo peso, ele precisou de uma transfusão durante o tratamento no Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) do Instituto Albatroz, que executa o Projeto de Monitoramento de Praias (PMP-BC/ES) em parte da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. A doadora foi “Lilica”, uma pinguim da mesma espécie que já está reabilitada e pronta para a soltura.
Realizado em julho, o procedimento foi bem-sucedido. Desde então, Branco se recuperou e chegou aos cinco quilos, tornando-se o mais pesado da turma em reabilitação. Agora, assim como Lilica, está apto a retornar ao mar!
Por que Branco precisou de uma transfusão?
Mesmo com um tratamento intensivo, os exames de Branco ainda indicavam anemia profunda. A equipe acompanhou o hematócrito - exame que mede a proporção de eritrócitos no sangue, que são responsáveis pelo transporte de oxigênio pelo corpo. Como os níveis permaneciam muito baixos, foi necessário recorrer à transfusão.
Lilica foi escolhida como doadora por estar em ótimas condições de saúde, com bom estado corporal e exames de sangue adequados para a doação. Antes do procedimento, a equipe realizou teste de compatibilidade entre as duas aves. A transfusão ocorreu lentamente, de forma controlada e com acompanhamento constante dos profissionais, atentos a possíveis reações adversas. Tanto a doadora quanto o receptor foram monitorados de perto.
Além dos eritrócitos, o sangue doado fornece proteínas do plasma e componentes importantes para a coagulação. Para um animal com anemia grave, esse suporte pode ser decisivo na recuperação, reforçando como o conhecimento científico é fundamental para oferecer novas oportunidades aos animais em reabilitação.
O que causa anemia em pinguins?
Durante a temporada de migração, de junho a outubro, os pinguins podem enfrentar condições que favorecem o desenvolvimento de anemia. Entre elas, estão a desnutrição e as infecções por parasitas, algumas capazes de provocar perda de sangue pelo sistema digestivo.
A anemia reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio. Por isso, os animais podem apresentar fraqueza, cansaço e prostração. Nos casos mais graves, o quadro também pode comprometer o funcionamento de órgãos e as defesas do organismo.
Projeto de Monitoramento de Praias
O Instituto Albatroz executa o Projeto de Monitoramento de Praias (PMP-BC/ES) - desenvolvido pela Petrobras para atendimento de condicionante do licenciamento ambiental - em parte da Região dos Lagos do Rio de Janeiro. O PMP é responsável por monitorar, resgatar e reabilitar os animais marinhos debilitados nas praias do litoral brasileiro. E, claro, realizar a soltura na natureza, um dos momentos mais gratificantes para toda a equipe!
O monitoramento realizado pelo Instituto Albatroz é feito diariamente, em 25 praias, somando 54 quilômetros de litoral. Durante a atividade, aves e tartarugas marinhas encontradas vivas pelas equipes de campo são encaminhadas para o Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) do Instituto Albatroz. A população pode contribuir, acionando as equipes de monitoramento ao avistar um animal marinho vivo ou morto nas praias, através do telefone 0800 991 4800.
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