Dia Mundial do Albatroz: há 36 anos, projeto brasileiro aposta em pesquisa e educação ambiental para conservar aves oceânicas | Projeto Albatroz
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Dia Mundial do Albatroz: há 36 anos, projeto brasileiro aposta em pesquisa e educação ambiental para conservar aves oceânicas

Dia Mundial do Albatroz: há 36 anos, projeto brasileiro aposta em pesquisa e educação ambiental para conservar aves oceânicas

Grupo de aves mais ameaçado do mundo, albatrozes enfrentam ameaças que vão desde a captura incidental pela pesca até as mudanças climáticas

As aves oceânicas mais majestosas do planeta são também algumas das mais difíceis de se observar. Os albatrozes, aves que podem chegar a 3,5 metros de envergadura e que passam a maior parte da vida em áreas remotas, planando sobre o oceano, são vistas somente em alto-mar, fazendo parte da rotina e do imaginário de pescadores e pesquisadores. Por esse motivo, muita gente ainda desconhece as ameaças à sobrevivência dessas aves e os desafios de sua conservação. O Dia Mundial do Albatroz, comemorado em 19 de junho, chama atenção para esse grupo de espécies, sua biologia única e a importância de ações para protegê-las.

O Projeto Albatroz, patrocinado pela Petrobras, é a única instituição brasileira dedicada exclusivamente à conservação dessas aves que, apesar de darem a volta ao mundo em busca de alimento, passam todos os anos por águas brasileiras, interagindo com barcos pesqueiros. Em 1990, a bióloga Tatiana Neves decidiu fundar o Projeto Albatroz ao dar-se conta do impacto global que a morte de cada uma dessas aves poderia causar. Naquela época, centenas de albatrozes eram capturados por embarcações de espinhel que faziam rotas no Sul e Sudeste do país. 

Desde então, o Projeto Albatroz se organiza em diversas frentes de trabalho que combinam pesquisa científica, educação ambiental, desenvolvimento de políticas públicas para a conservação e ações de comunicação que ampliem o conhecimento sobre essas aves. Afinal, nas palavras da própria fundadora e coordenadora geral do Projeto Albatroz, Tatiana Neves: “nós só podemos conservar aquilo que conhecemos e, por isso, o Dia Mundial do Albatroz tem esse papel importante de conectar as pessoas com o oceano e permitir que elas se encantem com essas aves".

Papel do Brasil na conservação

Das 22 espécies de albatrozes que existem no mundo, metade frequenta águas brasileiras para buscar alimento e temperaturas mais amenas. Em suas incursões pela costa, os albatrozes interagem com barcos pesqueiros para roubar iscas, como pequenos peixes e moluscos, que formam a base da sua alimentação. Ao morder a isca, as aves podem ter seus bicos perfurados e são puxadas para dentro d’água, onde morrem afogadas. 

Nesse sentido, o foco do Projeto Albatroz é trabalhar em parceria com pescadores na pesquisa, desenvolvimento e implementação de medidas mitigadoras simples, mas eficazes na diminuição da captura das aves pelas embarcações. Entre elas estão a largada noturna dos anzóis, o uso de pesos de chumbo nas linhas de pesca para que os anzóis afundem mais rapidamente e a adoção do toriline, uma linha espanta-pássaros que é colocada na parte traseira do barco para evitar que os albatrozes se aproximem das iscas enquanto estão na superfície da água. 

De acordo com Tatiana Neves, se utilizadas de forma simultânea, essas medidas conseguem diminuir em até 90% a captura incidental dos albatrozes. “Nesses mais de 35 anos de educação ambiental, pesquisa e políticas públicas, entendemos que a conservação de aves oceânicas tão majestosas, capazes de dar a volta ao mundo em busca de alimento, é uma luta conjunta", explica. “É algo que precisa ser feito em âmbito local, trabalhando junto com os pescadores e entendendo os desafios do Brasil, mas também gerando dados e pesquisas para a formulação de estratégias globais, como já realizamos em parceria com o Acordo para a Conservação de Albatrozes e Petréis (ACAP)".

Símbolo de esperança

Uma das espécies avistadas com mais facilidade em águas brasileiras, o albatroz-de-sobrancelha-negra (Thalassarche melanophris), que se reproduz nas Ilhas Malvinas/Falklands, na Argentina, tem uma característica singular: um delineado preto sobre os olhos que torna fácil reconhecê-la. Por essa proximidade, tornou-se símbolo do Projeto Albatroz e de sua luta para conservá-lo.

No começo dos anos 2000, o albatroz-de-sobrancelha-negra chamava atenção dos pesquisadores porque sua população diminuía rapidamente: em 2003 chegou a ser considerado uma espécie ameaçada de extinção por ter apenas 600 mil casais ao redor do mundo, que não eram capazes de repor os indivíduos perdidos. 

Graças aos esforços globais de conservação, do qual o Projeto Albatroz faz parte por meio do ACAP, foi possível reverter progressivamente o declínio populacional até que em 2015, a espécie foi excluída da Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. Hoje, a espécie é considerada de baixo risco de extinção pela Lista Vermelha da IUCN.

Educação ambiental em Cabo Frio (RJ)

Para complementar iniciativas de educação ambiental desenvolvidas pelo Projeto Albatroz, como o Programa Albatroz na Escola e o Coletivo Jovem Albatroz que, juntos, já impactaram mais de 35 mil pessoas, o Centro de Visitação da instituição foi inaugurado em 2023, em Cabo Frio. O espaço foi pensado para ser um polo de cultura oceânica, com pavilhões expositivos sobre os albatrozes e a biodiversidade marinha, atividades educativas, artísticas e culturais para diversas idades, cursos e ações de engajamento com a comunidade.

A trilha expositiva foi idealizada para que os visitantes mergulhem no oceano, em um trajeto que aborda temas de conservação marinha, biologia e pesca para todas as idades. Na entrada, o visitante conhece a história do Projeto Albatroz e segue para a Trilha do Mangue, onde conhece o manguezal e a fauna e flora característica desse ecossistema em uma trilha rodeada por mangues, aroeiras e diversas espécies de caranguejos. 

Localizado à beira da Laguna de Araruama, com uma vista 360º para os arredores, o Observatório de Aves é um espaço que convida os visitantes à contemplar a natureza e avistar espécies de aves recorrentes na região, como biguás, colhereiros, garças-azuis, entre outras.

Em seguida, o público chega na Calçada dos Ecossistemas, onde caminha às margens da laguna enquanto conhece as particularidades de cada um dos ambientes presentes na região, desde o manguezal até o ambiente pelágico. Dali, é convidado a dar um mergulho no Espaço Oceano e encantar-se com a diversidade das espécies que habitam esse ambiente. 

Para fechar a visitação, o Espaço Albatroz fala sobre a biologia dos albatrozes e petréis, apresentando as espécies e adaptações biológicas dessas aves, explicando a interação delas com a pesca e guiando o visitante por uma reflexão sobre o seu papel na conservação do oceano. 

"Saber que um trabalho que começou pequeno, no Terminal Pesqueiro de Santos, hoje é capaz de alcançar e sensibilizar milhares de pessoas todos os anos, é algo emocionante", reflete Tatiana Neves. "Mas a conservação nunca para. O Dia Mundial do Albatroz nos lembra da importância de continuar trabalhando para que nenhuma espécie desapareça". 

Centro de Visitação do Projeto Albatroz

Endereço: Av. Wilson Mendes, s/n, Porto do Carro, Cabo Frio (RJ).

Horário de funcionamento: quinta e sexta-feira das 10h às 18h, finais de semana das 14h às 18h. Bilheteria fecha às 17h.

Ingressos: R$15 (inteira), R$7 (meia-entrada). Conheça as condições para meia-entrada e gratuidade neste link.

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