Cultura cabista em cena: quando o cenário se torna protagonista | Projeto Albatroz
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Cultura cabista em cena: quando o cenário se torna protagonista

Cultura cabista em cena: quando o cenário se torna protagonista

Parceria entre Projeto Albatroz, Universidade Veiga de Almeida e prefeitura de Arraial do Cabo promove divulgação da cultura oceânica em oficina de audiovisual 

Durante três tardes de sol em maio, as praias de Arraial do Cabo receberam um olhar diferente. Acostumadas ao movimento intenso de visitantes, dessa vez elas se tornaram cenário e também personagem das produções criadas por jovens participantes da oficina de audiovisual do Projeto Albatroz, patrocinado pela Petrobras.

Familiarizados com as praias da cidade nos dias de descanso, os jovens transformaram suas percepções sobre o lugar onde vivem e a importância da preservação ambiental na narrativa audiovisual. Com os pés descalços na areia, celulares nas mãos e ideias surgindo em grupo, eles mergulharam na etapa prática de captação para um curta-metragem sobre a cultura cabista.

O curta produzido durante a oficina abordará os impactos do lixo e da falta de consciência ambiental no oceano, conectando o tema à realidade de quem cresce cercado pelo mar. Realizada pelo Projeto Albatroz, em parceria com a Universidade Veiga de Almeida e as secretarias de Meio Ambiente e Cultura de Arraial do Cabo, a oficina une educação ambiental, cultura oceânica e produção audiovisual em uma experiência voltada para adolescentes da Guarda Mirim municipal.

Durante os encontros realizados no Projeto Albatroz, em Cabo Frio, os participantes aprenderam fundamentos da produção audiovisual, como construção de roteiro, iluminação, captação de imagem e enquadramento. Mais do que aprender técnicas, os jovens foram incentivados a refletir sobre o próprio território e sobre as histórias que desejavam contar.

“O grande valor dessa oficina é mostrar aos jovens que as histórias mais importantes para serem contadas também estão no lugar onde eles vivem. Quando uma criança ou adolescente reconhece a riqueza cultural e ambiental do seu território, ela desenvolve pertencimento, autoestima e entende que pode contribuir ativamente para a valorização da cultura local e para a conservação dos oceanos”, enfatiza Alessandro Andrade, Assistente de Educação Ambiental para Comunidades do Projeto Albatroz.

Já nas gravações externas, realizadas na Prainha e na Praia dos Anjos, em Arraial do Cabo, a experiência ganhou novos sentidos. Com o apoio de pescadores da região, os adolescentes tiveram contato direto com elementos da cultura local e puderam experimentar na prática os desafios e descobertas de uma produção audiovisual.

O envolvimento dos participantes apareceu nos detalhes. Enquanto alguns se dedicavam às cenas principais, outros encontraram espaço atrás das câmeras, registrando bastidores, paisagens e momentos espontâneos da equipe. Em cada fotografia feita, era possível perceber curiosidade e um olhar atento para aquilo que acontecia ao redor.

Kauã Pereira, aluno da Guarda Mirim, participou do processo de captação das cenas e compartilhou o interesse pela intencionalidade da fotografia: “Esse tipo de experiência me fez sair um pouco da minha rotina e me fez entender que uma imagem pode valer bem mais do que palavras. A ideia de que ângulos e perspectivas diferentes do tradicional podem mudar todo o contexto de uma narrativa é algo que eu acho interessante e que consegui aplicar, de forma prática, nos vídeos e nas fotos que fizemos durante as gravações.” 

A estudante de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida e estagiária de Comunicação do Projeto Albatroz, Lara Pimentel, auxiliou na condução dos encontros em parceria com outras colegas de curso, sob a direção de Paula Ventura, e reforçou: “Mostrar que a produção audiovisual não está tão distante e que esses adolescentes também podem ser protagonistas de suas próprias histórias foi uma experiência muito tocante. Ao conhecê-los melhor e acompanhar o despertar de talentos, da curiosidade e do interesse por novas formas de expressão, ficou ainda mais evidente a importância de tornar o conhecimento científico mais democrático e acessível, para que eles possam se reconhecer como sujeitos potentes, cheios de vivências e saberes”.

Na frente das câmeras, a experiência também despertou entusiasmo. Uma das adolescentes que participou das cenas de atuação se entregou ao personagem com animação, vivendo a experiência como uma verdadeira atriz. “Participar da oficina de audiovisual foi uma experiência incrível. O legal é que você tem a oportunidade de escolher a parte com a qual mais se identifica e eu, em particular, gostei muito de atuar”, destaca Julya Couto, aluna da Guarda Mirim. 

Ao longo dos dias, a timidez inicial deu lugar à troca, à criatividade e ao comprometimento coletivo. Entre cenas refeitas, ondas quebrando na areia e ideias compartilhadas em grupo, a oficina deixou registros que vão além das imagens captadas pelas câmeras.

 

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