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Atobá, o torpedo dos mares!

Atobá, o torpedo dos mares!

Adaptações permitem que ave faça mergulhos radicais e manobras incríveis

Uma das aves mais comuns – e lindas – do nosso litoral, os atobás-pardos (Sula leucogaster) chamam a atenção por seu corpo marrom-escuro, ventre branco nos adultos, bico pontiagudo e, em especial, por seus mergulhos radicais que os fazem parecer torpedos na hora de capturar suas presas! E você sabe porque eles conseguem fazer essas velozes manobras, que podem ultrapassar os 80 km/h? O segredo está em um conjunto de adaptações do corpo que favorecem essa estratégia de caça.

Quando comparado a outras aves marinhas, o bico dos atobás revela uma verdadeira adequação ao seu estilo de vida radical! Capazes de mergulhar de alturas impressionantes e atingir velocidades elevadas, essas aves apresentam características anatômicas que ajudam a enfrentar o impacto com a água. Uma delas é a ausência de narinas externas,  diferente dos Procellariiformes, como albatrozes, pardelas e petréis, que possuem narinas bastante destacadas. Então, como os atobás respiram? A resposta está nas aberturas respiratórias localizadas no céu da boca, que permitem a passagem do ar quando estão com o bico aberto. A natureza é mesmo surpreendente em suas adaptações!

Quando a natureza inspira a tecnologia

Adaptações como essas despertam a curiosidade de pesquisadores que buscam compreender como os seres vivos enfrentam os diferentes desafios do ambiente. Afinal, o estudo das soluções encontradas na natureza também pode inspirar o desenvolvimento de novas tecnologias!

Essa abordagem é conhecida como biomimética: a investigação de estruturas, processos e estratégias naturais que podem servir de inspiração para soluções humanas.

E os atobás já inspiraram pesquisas nessa área! Em 2013, pesquisadores da Universidade Beihang, na China, desenvolveram um protótipo robótico baseado na anatomia e nos movimentos dessas aves durante o mergulho. Com asas ajustáveis, o equipamento foi utilizado para investigar como  fatores relacionados à posição das asas, altura e ângulo de entrada na água influenciam o impacto. O estudo contribui para o desenvolvimento de conhecimentos que podem ser aplicados a veículos capazes de transitar entre o ar e a água.

Ciência a serviço da conservação

Os atobás estão entre as aves marinhas atendidas pelo Instituto Albatroz, que executa o Projeto de Monitoramento de Praias (PMP-BC/ES) - desenvolvido pela Petrobras para atendimento de condicionante do licenciamento ambiental - na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Presente em todo o litoral brasileiro, o PMP é responsável por monitorar, resgatar e reabilitar animais marinhos debilitados na areia das praias. E, claro, realizar a soltura na natureza, um dos momentos mais gratificantes para toda a equipe!   

Há mais de dois anos executando o PMP, o Instituto Albatroz registra centenas de resgates de aves e tartarugas marinhas, que seguiram para o Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) da instituição. No caso dos atobás, os números apontam a feliz marca de 45 solturas de aves desta espécie no período! 

Apesar de suas incríveis adaptações, os atobás também enfrentam ameaças, como a interação com resíduos plásticos  e petrechos de pesca, e podem ser encontrados debilitados nas praias. Um dos casos atendidos pelo Instituto Albatroz envolveu um atobá resgatado com um anzol no estômago, que perfurou o órgão e exigiu intervenção cirúrgica. Situações como essa reforçam a importância do descarte adequado de linhas e anzóis e da adoção de medidas para reduzir a captura incidental de animais marinhos durante a pesca. 

Ao encontrar um animal marinho vivo ou morto nas praias, acione o PMP-BC/ES pelo telefone 0800 991 4800.

Referência bibliográfica

LIANG, J. et al. Design and Experiment of a Bionic Gannet for Plunge-Diving. Journal of Bionic Engineering, v. 10, n. 3, p. 282–291, 2013. 

 

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